À Beira do Caminho (2012)

27 de Novembro de 2012 at 1:32 Deixe um comentário

Penso que esse filme de Breno Silveira (diretor do aclamado “Dois Filhos de Francisco”), lançado em agosto deste ano, foi feito para fãs de Roberto Carlos. Com sua história sendo pontuada pelas músicas do rei, “À Beira do Caminho” tenta fazer uma homenagem ao consagrado cantor e atrair seus fãs para a sala de cinema. E acho que falharam nesse último quesito, pois o filme não teve uma bilheteria nem de perto expressiva, com pouco mais de 400 mil espectadores, e quando eu, uma não fã do rei, fui assisti-lo, só havia mais uma pessoa na sala de cinema.

Moral da história: Os fãs e não fãs do rei perderam, pois o filme é muito bom. Apesar da aura Roberto Carlos e da divulgação focar nessa relação estreita com o consagrado cantor, fui ao cinema para ver João Miguel de protagonista e não me decepcionei. E nem poderia, já que estou falando de um dos rostos mais presentes no cinema brasileiro e um dos atores mais competentes do meio (quem viu “Estômago” e “Cinema, Aspirinas e Urubus” sabe do que estou falando).

O filme conta a história de um caminhoneiro, João (João Miguel), com um passado trágico, e que segue pelas curvas das estradas de Santos tentando esquecer seu infortúnio. Só que no meio da estrada, ou na beira do caminho, ele conhece o garoto Duda (Vinícius Nascimento), que acabou de perder a mãe e tem o sonho de ir para São Paulo conhecer o pai. O menino, claro, se torna um problema para ele, mas com o passar do tempo e dos quilômetros ele se apega ao garoto. Essa relação e o encontro com uma namorada do passado (Dira Paes) o faz reviver o inferno de tempos atrás e rever sua posição diante disso, diante da vida.

O protagonista amadurece ao lado do garoto e, finalmente, toma coragem de enfrentar as histórias não finalizadas de sua vida. E toda essa trajetória é marcada pelas canções do rei. O filme se desenrola com a mesma emoção passada pelas canções, ou seja, é Roberto Carlos quem dá o tom.

O Road Movie das canções de Roberto Carlos percorre o Brasil pelas estradas da Bahia e de São Paulo. Durante esse percurso somos agraciados com proféticas frases de pára-choque e com apenas quatro músicas na voz de Roberto, as únicas que ele liberou: “Outra Vez”, “O Portão”, “Como Vai Você” e “A Distância”, sendo essa última sugerida pelo próprio artista. As outras músicas são interpretadas pelo próprio elenco. Sim, vemos João Miguel, Dira Paes e até Vinícius Nascimento soltando o gogó. E sim, foi uma experiência interessante. Além das vozes do elenco, o filme também conta com as versões de outros cantores para as músicas do rei, como “Nossa Canção”, interpretada lindamente por Vanessa da Mata.

Como disse no início, “À Beira do Caminho” não foi um sucesso de bilheteria como a saga dos irmãos sertanejos, o que é uma pena. É decepcionante entrar na sala de cinema (que só nos oferece um horário para ver filmes brasileiros) e encontrar apenas um espectador. Duas pessoas assistiram a um bom filme que, na minha humilde opinião, é bem melhor que “Dois Filhos de Francisco”. Mas infelizmente pouca gente vai saber disso, afinal apenas pouco mais de 400 mil pessoas saíram de casa para ver “À Beira do Caminho”.

Por Débora Anício

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